Hemominas orienta pacientes falciformes quanto a importãncia da vacinação

Pacientes com doença falciforme, com idade superior a 18 anos, devem se vacinar contra a COVID-19 assim que as vacinas estejam disponíveis nos Centros de Saúde de Vacinação, conforme cronograma previsto para os grupos prioritários, estipulado pelos respectivos municípios.

Também o Programa Nacional de Imunizações disponibiliza, nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), a Vacina Pneumocócica Conjugada 13-valente para pacientes com doença falciforme que apresentam asplenia anatômica e funcional (falta ou insuficiência do baço). Esta vacina está disponível, ainda, para outros pacientes que sofreram a remoção completa ou parcial do baço (esplenectomia), com o objetivo de prevenir contra a bactéria pneumocócica, responsável por doenças graves como pneumonia, meningite, septicemia e até otite média aguda.

O retorno às atividades escolares, após a melhoria dos indicadores de risco, será baseado nas orientações e recomendações das Secretarias de Saúde e de Educação municipais e estaduais. É fundamental que a escola onde o paciente estuda, saiba do seu diagnóstico e providencie condições necessárias para estudo presencial, conforme as normas de segurança preconizadas. 

Pacientes com doença falciforme têm maior risco de desenvolverem infecções graves. Nesse caso, a escola deverá disponibilizar o ensino a distância, proporcionando assistência individualizada. É importante que a escola entre em contato com a Unidade da Fundação Hemominas, onde o paciente é acompanhado, e também  com o setor de Pedagogia da Fundação, para receber informações e orientações detalhadas sobre o caso, contribuindo para o acolhimento do paciente e de sua família de forma mais abrangente e integral.

Paciente falciforme sendo atendida no HBH
Atendimento no HBH - Autocuidado e acompanhamento são essenciais para uma melhor qualidade de vida - Fotos: Adair Gomez

Doença falciforme

Segundo a hematologista Patrícia Cardoso, coordenadora da Capacitação e Assessoria Técnica dos Ambulatórios da Fundação Hemominas, a doença falciforme (DF) é a hemoglobinopatia mais frequente no mundo e representa uma das principais patologias genéticas no Brasil. Ela informa que a estimativa mais recente do Ministério da Saúde aponta cerca de 100.000 pacientes no território nacional. De acordo com os dados do Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PETN-MG), a incidência para a DF é de 1:1.400 nascimentos, e para o traço falciforme é de 1:30. Na Fundação Hemominas estão cadastrados cerca de 7.500 pacientes com hemoglobinopatias, atendidos em uma das 11 unidades que realizam o acompanhamento hematológico.

A gravidade clínica da doença falciforme é variável, mas a maioria apresenta as formas crônica e grave da doença, exacerbada pelas chamadas “crises”. A morbidade e a mortalidade são o resultado de infecções, anemia hemolítica e de microinfartos decorrentes de uma vaso-oclusão microvascular difusa. Os sintomas modificam-se de acordo com a idade do paciente e, sobretudo, segundo os cuidados que se têm para preveni-los.

Entre as principais manifestações e complicações da doença falciforme, estão: hemólise, que se apresenta com anemia crônica e icterícia de graus variáveis; fenômenos vaso-oclusivos, sendo as crises álgicas (crises de dor) mais comuns, e a síndrome torácica aguda, com elevada morbimortalidade. Outras complicações: aumento da incidência de infecções devido à aplenia funcional e disfunções no baço, sequestro esplênico agudo, sobretudo em crianças pequenas. Nas crianças e adultos, principalmente com genótipo HbSS, acidente vascular isquêmico, e nos adolescentes e adultos, úlcera de perna e disfunções orgânicas devido às vaso-oclusões progressivas em órgãos.


Pacienetes  recebem atendimento odontológico no HBH
Atenção multidisciplinar: tratamento odontoambulatorial para pacientes hematológicos nos ambulatórios da Hemominas - Foto: Adair Gomez
Por se tratar de uma enfermidade hereditária de curso crônico, a DF causa grande impacto em toda a família e precisa ser bem conhecida pelos serviços de saúde. A abordagem adequada depende da colaboração da equipe multiprofissional, da participação da família e da comunidade.

 

Dados do Ministério da Saúde mostram que a letalidade da doença falciforme é de 80% aos 8 anos de idade, quando as crianças não são inseridas em programa específico de acompanhamento. Assim, para garantir a integralidade do cuidado, todas as instâncias da rede pública de saúde (primária, secundária e terciária) devem estar envolvidas.

Gestor responsável: Diretoria Técnico-Científica - TEC

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