Pesquisadores atuam em laboratório da Fundação Hemominas.

Responsável pelo desenvolvimento de projetos de pesquisa que levam à elaboração de teses e dissertações em diferentes áreas do conhecimento, além da produção de artigos científicos e monografias técnicas, a Fundação Hemominas registra, hoje, 86 projetos em andamento. Desde 1992, quando o Serviço de Pesquisa foi criado, 542 projetos já foram aprovados.

Cadastrada junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Hemominas concentra as atividades nas áreas de hematologia e hemoterapia. As parcerias e convênios com universidades e instituições de pesquisa no país e no exterior são importantes para essa produção científica, que conta com o financiamento por agências de fomento nacionais e estrangeiras.

Em 2019, a Fundação se consolidou como Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), a partir da criação da Política de Pesquisas, Inovações Tecnológicas e Proteção da Propriedade Intelectual que abrange não só a normatização do desenvolvimento de pesquisas na instituição, como regulamenta processos que visam ao estímulo das atividades de pesquisa e inovação.

Os projetos de pesquisa desenvolvidos na Fundação Hemominas envolvendo seres humanos devem ser analisados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), antes do seu efetivo início. O CEP é composto por servidores da Fundação, além de representantes de usuários (doadores de sangue e pacientes). Os projetos aprovados são acompanhados pelo Comitê e pelo Serviço de Pesquisa da Hemominas.

Covid-19: projetos elaborados

Bolsas de sangue e tubos com material para exame.
Após a aprovação do projeto, mais de 2 mil doadores serão testados até o fim do ano. Foto: Adair Gomez.
Na atualidade, dois projetos elaborados pela Hemominas sobre a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), estão sob análise do Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação Hemominas e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), aguardando aprovação para o início das atividades.

O projeto “Impacto da pandemia por SARS-CoV-2 no Sistema Hemoterápico Público de Minas Gerais e estudo do vírus” prevê a realização de um teste molecular para detecção do coronavírus em amostras coletadas no nariz e na boca (swab de nasofaringe e orofaringe) de doadores participantes da pesquisa, dos quais serão recolhidas também amostras de sangue. O objetivo é avaliar o percentual de portadores assintomáticos do vírus entre os doadores de sangue e analisar marcadores de resposta imunológica e variações genéticas em doadores de sangue e pacientes com Covid-19. Por meio da pesquisa, será possível sequenciar as amostras positivas e conhecer a diversidade dos vírus circulantes em Belo Horizonte. Ainda, será feita uma avaliação quanto ao impacto da pandemia no comparecimento de doadores no ano de 2020, tendo como base os dados do ano anterior.

“O projeto poderá ajudar a entender porque algumas pessoas desenvolvem sintomas graves da doença e outros não. Esse dado é importante para monitorar pacientes e indicar potenciais alvos terapêuticos. Nossa proposta de estudo é ampla e multidisciplinar e pode trazer resultados que ampliarão o conhecimento sobre a infecção viral. Esperamos, principalmente, contribuir com novos conhecimentos aplicáveis à hemoterapia e à saúde pública”, explica a gerente de Desenvolvimento Técnico-Científico da Fundação Hemominas Marina Lobato.

O projeto, que envolve 17 pesquisadores, é uma parceria entre Hemominas, Fundação Ezequiel Dias (Funed), Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), por meio do Hospital Eduardo de Menezes, e a UFMG, via Instituto de Ciências Biológicas. A Secretaria de Estado de Saúde disponibilizará insumos para os testes. “Nossa previsão é coletar cerca de 96 amostras por dia, somando quase dois mil doadores testados nos meses de junho a agosto. Para os meses de setembro a dezembro, quando a epidemia provavelmente estará menor, iremos coletar cerca de 100 amostras por mês”, salienta Lobato. E ressalta: “O sangue do doador só será testado caso a sua amostra de swab tenha sido positiva para o vírus”.

Imunoterapia

Outro projeto desenvolvido pela Hemominas referente ao enfrentamento do coronavírus é “Imunoterapia passiva como alternativa terapêutica de tratamento de pacientes com a forma grave de COVID-19”. O estudo, que conta com 12 pesquisadores da Hemominas e das instituições parceiras, objetiva identificar a segurança da infusão do plasma de doadores convalescentes (pacientes que tiveram o novo coronavírus e se curaram da infecção) como mais uma alternativa terapêutica, em adição ao tratamento padrão de pacientes que apresentam a forma grave da Covid-19 com necessidade de oxigênio suplementar ou que estejam recebendo tratamento em terapia intensiva.

Segundo a presidente da Hemominas, a médica hematologista Júnia Cioffi, esse tipo de terapia já foi utilizado em outros surtos de doenças infecciosas, como em pacientes infectados por SARS, MERS, H1N1 e até Ebola, tendo resultados satisfatórios em alguns casos.
Gestor responsável: Assessoria de Comunicação Social

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